Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

21 de março de 2010

Pesquisadores franceses desvendam humanóide desencavado no Subsolo do Congresso Nacional (FRANCEPRESS, URGENTE).





Antropólogos e paleontólogos do Instituto Pasteur, de Paris, finamente concluíram as pesquisas sobre a múmia humanóide, em excelente estado de conservação, encontrada durante escavações secretas no subsolo do prédio do Congresso Nacional.
Segundo os estudiosos, tratava-se de um ser maduro, com idade entre os 21 e 70 anos. Estava com as mãos nos bolso, agarrando moedas de ouro, o que levou à conclusão, junto com outros detalhes, de que possuía um alto grau de individualismo.
Pelos trajes requintados que usava, hoje comparáveis a um terno, era, possivelmente, uma pessoa de casta social alta. Contudo, foram observadas mutações e atrofiamentos supervenientes ao seu nascimento, causados por desuso ou mau uso, e só agora revelados:
Tinha problemas sérios quanto aos seus sentidos. Percebeu-se que a audição era praticamente nula. Escutava com clareza apenas as frivolidades que lhe interessavam, pois se condicionou a isto. Não entendia sons que ultrapassassem a barreira dos 780Hz - próprios de discursos críticos ou de posturas avançadas e corajosas.
Apesar da expressão facial que denotava um sorriso largo, percebeu-se o enrijecimento facial com aspecto amadeirado. Era um cara-de-pau, literalmente.
Seu olfato, que pena, era bastante deficiente. Nem se importava quando algo lhe cheirava mal.
Era nômade. Isso mesmo. Mas tinha uma peculiaridade: as observações mais acuradas destacaram que de quatro em quatro anos, inexplicavelmente, passava um curto período fora do local de onde foi desenterrado. Mas sempre retornava para mais um quadriênio na mesma região.
A gustação também foi afetada de maneira grave, devido ao hábito de engolir a seco tudo de errado que percebia.
A visão, contudo, era normal, mas exames na retina causaram surpresa: o homem tinha visão perfeita mas não via os problemas dos outros, só os seus!
Foi observada também a insensibilidade do tato, talvez a mais grave deficiência: Era insensível. Ele não se tocava de modo algum. A exceção se dava na região glútea: a múmia era um bundão, desculpem a expressão, mas isso ficou cabalmente demonstrado.
Ficou patente um desequilíbrio anatônico lateral. O humanóide tinha o lado direito muito maior que o esquerdo, e em caminhadas mais longas esse direitismo o fazia andar em círculos.
O aparelho fonador teve destaque devido à hipertrofia da língua. Isso mesmo, o humanóide era um linguarudo, mas tal anomalia o impedia de pronunciar palavras como altruísmo, probidade, nacionalismo ou conscientização.
Inicialmente se pensou que se tratava de animal de capacidades mentais atrofiadas. Todavia, seu cérebro, surpreendentemente, possuía tamanho normal, se comparado ao Homo sapiens sapiens (homem moderno). Apenas a região lobo ocidental, onde se processam os cálculos matemáticos, estava crescida. Nas demais, uma leve atrofia. Ele era obcecado por números.
Afirmam os antropólogos que o seu potencial era muito mal investido e tal deficiência advinha da não utilização de suas faculdades para a tomada de consciência dos problemas da coletividade da época e sua importância como veículo modificador da realidade social. Sua capacidade intelectual fora dirigida somente para o bem estar pessoal e de alguns parentes e aderentes. E a consciência social, infelizmente, atrofiou devido a não-utilização.
Foi encontrado embaixo de uma das axilas um objeto assemelhado a um exemplar de uma Constituição, cujas perícias demonstraram jamais ter, na prática, sido lido ou, no mínimo, aberto pelo humanóide, fato que motivou os cientistas a batizarem o Reverteres intelectus de Homo legislatoris.
Seria o elo perdido? Não. Segundo os cientistas, algumas espécies de primatas seriam mais evoluídas...

* Trata-se de uma crônica. Qualquer semelhança é mera coincidência...

**Rosivaldo Toscano Jr. é juiz de direito e membro da Associação Juízes para a Democracia - AJD

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