Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

20 de março de 2010

OS 10 MANDAMENTOS DE SOBREVIVÊNCIA EM UM BUFFET



Quem já não foi a um buffet e voltou para casa de saco cheio e barriga vazia? Nesses tempos bicudos, de vacas magras, é preciso se utilizar algumas artimanhas para que não se venha a ficar vendo navios, ou melhor, pratos vazios.

Segue-se então algumas dicas que, se corretamente seguidas, certamente farão de você um verdadeiro "buffeteiro", um freqüentador profissional de jantares, recepções, coquetéis e outras coisas do gênero.

1° Mandamento: A procura do melhor lugar. Lembre-se que o melhor uísque sempre está na mesa do festejado. Faça amizade com algum familiar, embora tenha que ouvir com antecedência o disco preferido do pai do mesmo: a coletânea de músicas do cantor Nelson Ned, do ano de 1984; ou rir das histórias chatas contadas por alguém da mesa. Faça cara de bom moço, dê uns sorrisos, ainda que forçados, e se delicie, afinal, nesse caso o sacrifício é sanado por um ótimo malte escocês 12 anos. Legítimo, é claro.

Se a tática de aproximação não der certo, o jeito é partir para a batalha corpo a corpo. Atenção, preparar, atacar!

2° Mandamento: No campo de Batalha. Agora você está à solta, mas nunca esqueça que não há coisa mais horrível que ver um monte de pessoas avançando como urubus sobre a bandeja de docinhos, salvo se você for uma delas.

3° Mandamento: Cuidado com as palavras. Jamais teça bons comentários a respeito das patolas de caranguejo para que não venha a ter o infortúnio de vê-las simplesmente desaparecer.

4° Mandamento: A estratégia de aproximação. Esteja sempre atento. De radar ligado. Se interceptar uma bandeja de salgadinhos passando por perto, disfarce, principalmente se estiver na companhia de gordinhos. Diga que vai ao banheiro.

A melhor forma de atacar é pela frente e de surpresa. Ao abordar a vítima, ou melhor, o garçom com a bandeja repleta daquelas deliciosas empadinhas, faça uma cara de fome, de quem é capaz até de comer um braço alheio se não for saciado.

5° Mandamento: Ficar à saída da cozinha. Esta tática, apesar de manjada, ainda funciona. Use de cordialidade, faça de conta que conhece os garçons, afinal, intimidade sempre ajuda. Quando eles passarem, sorria, nada mal também umas tapinhas nas costas. Procure saber o nome deles.

6° Mandamento: A hora do rango. Quando chegar a hora de servir o almoço ou o jantar propriamente dito a melhor saída é ser cara-de-pau mesmo. Se você, por acaso, for tímido, espere que alguém seja o primeiro da fila, mas com uma condição: você é o segundo, pois os melhores bifes estão a sua espera bem como o ensopado de camarão, que é o primeiro a acabar. Para ganhar coragem, recorde as inúmeras vezes em que você foi obrigado literalmente a pesca-los na tigela.

7° Mandamento: Arroz? Você não é chinês! Só mesmo um idiota para trocar um Filé a Temidor por uma porção de feijão. Tente colocar as comidas mais "interessantes". Recorde que você está ali para dar prejuízo mesmo.

8° Mandamento: Arrumando o prato. Lembre-se que os últimos serão os primeiros a ficar com fome, pois nunca dá pra todo mundo. Encha o prato de uma vez só, não se importe se derramar um pouco quando estiver voltando a sua mesa. Como fonte inspiradora, lembre da imponência do monte Everest. Nem se preocupe com os olhares dos outros porque melhor é ter dor de barriga de empachamento a ter de fome.

9° Mandamento: Tô empanzinado. Se não couber mais nada no seu estômago, e ainda assim quiser comer o restinho do salpicão, não se preocupe, pois, se desejar, poderá seguir o que faz um amigo meu que apesar da pouca idade já utiliza métodos heterodoxos: Vá até o toalete, tranque-se na privada, enfie o dedo goela abaixo e deixe que a natureza humana cuidará do resto.

10° Mandamento: A batalha pelo copo cheio.  Por falar em dedo, ele tem mais uma utilidade. Quando lhe forem servir qualquer bebida, esteja alerta: procure o copo mais cheio da bandeja. Se alguém resolver pegar o mesmo que você, não hesite, mergulhe o polegar ou o indicador na bebida. Garanto que o adversário irá disfarçar, fazer um sorriso amarelo e se contentar com um menos cheio.

Caso você utilize todos esses artifícios e ainda assim não consiga se dar bem, use de subterfúgios: Suborne um garçom! afinal, guerra é guerra!

Um comentário:

  1. Excelente cronica! Meus parabéns!

    Posso repassá-la? Se positivo pode ser com a citação da fonte(blog) ou prefere o anonimato? Abraços

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