Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

23 de junho de 2010

Em Bolsa de Mulher...



Uma vítima compareceu à audiência de instrução e julgamento. Era uma senhora com uns cinqüenta anos, baixinha e gordinha. A acusação era de tentativa de roubo. Como geralmente tem medo do acusado, perguntei previamente se preferia que o acusado permanecesse fora da sala no momento do seu depoimento.
- Não, doutor. Pode trazer esse cabra que desse tipinho de gente não tenho medo não. Pari três “menino” e lá em casa até meu marido se reclamar muito o “couro” come – disse, com a maior firmeza. – Pensei cá com os meus botões: eita baixinha invocada...
Depois de ter mandado o jovem, pálido e magricelo acusado entrar, perguntei à testemunha:
- Senhora Maria, como se deram os fatos?
- Bem, doutor. Eu “tava” voltando pra casa “de pés”. Daí a pouco esse sujeito apareceu numa bicicleta – apontando para o acusado – e olhe só doutor, foi logo dizendo: “ei tia, passe a bolsa pra cá”. Eu perguntei o que é que era e ele disse de novo: “tia, passe a bolsa pra cá”, tateando algo que estava na cintura.
- E aí, a senhora deu a bolsa?
- Dei sim, doutor. E como dei. Taquei a bolsa com toda a força na cara desse magricelo que nem se criou que foi bicicleta "prum" lado e ele pro outro. Já caiu “pronto” no chão. Juntou gente e o danado acordou apanhando. Eu até tive pena e pedi que não batessem mais porque o queixo dele devia estar doendo da bolsada que levou.
- Mas a senhora fez isso mesmo?
- Ora não, doutor. É pra ele aprender a não querer tomar minhas coisas.
- Mas só com uma bolsada ele caiu e apagou?
- Sim senhor.
O defensor do acusado então pediu licença e perguntou:
- Mas o que danado tinha naquela bolsa?
A senhora pensou um pouco... Pensou... e olhando para cima e contando nos dedos, respondeu:
- Um litro de mel, um ferro de passar roupa que levei pra consertar, um perfume da Avon, batom, uma barra de sabão de coco, carteira, duas escovas de cabelo, dois kits de maquiagem, uma rapadura...
– Foi aí que o defensor interrompeu:
- Valha-me Cristo! Isso não é uma bolsa. É uma mercearia!

5 comentários:

  1. Ri demais com essa. O ladrãozinho foi a nocaute com uma boa bolsada. Realmente uma verdadeira mercearia...

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  2. Dr. Rosivaldo, muito bom dia.

    Após ler essa postagem e com base nos elementos que continham a bolsa de dn. Maria posso dizer que foi uma “doce pancada.” Háhaha.

    Um abraço!

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  3. ah... essa bolsada vale mais que um bom soco!!! ferro de passar? hahahaha!!!!

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  4. Uma “doce pancada" foi ótima (gargalhei). Mas isto é fato mesmo?
    Valha-me Deus!
    E eu que achava que a minha bolsa era a casinha do Snoop.

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