Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

16 de junho de 2010

Olhar 43!






Essa história me foi contada por uma amiga que é Promotora de Justiça na Paraíba.
Certa madrugada toca o telefone na delegacia de determinada cidade do sertão paraibano. A voz anônima de uma pessoa idosa relatava, sussurrando, que um homem estava agredindo animais da criação de cabritos de um vizinho da delatora. Passou todas as informações sobre o local ao policial de plantão.
O PM então se deslocou até as proximidades do terreno cercado onde pretensamente estaria o agressor. Chegando em completo silêncio, eis que se depara com um vulto que segurava vigorosamente uma das criações do vizinho e fazia movimentos bruscos, como se estivesse agredindo o pobre animal. Acendeu a lanterna e focou. Lá estava um homem aparentando uns trinta anos, agarrado a uma cabra e de calças arriadas... Era Nicácio Silva, um vizinho. O inusitado flagrante ocasionou o encaminhamento do homem à delegacia por maus-tratos ao animal. A pacata “vítima” foi facilmente conduzida para o interior da viatura, a contragosto do seu proprietário que, àquela altura, já se encontrava acordado e no local.
Pela manhã, ao chegar na delegacia, a autoridade policial, ao ver a cabra numa das celas, perguntou a razão do animal estar ali, ao que o soldado respondeu que era a vítima de um crime. O delegado passou um sermão no soldado e perguntou se seria ele quem faria a oitiva da “vítima”. A cena insólita terminou com o animal voltando para seu dono no mesmo veículo da polícia, não sem deixar – para mais um desagrado do delegado –, algumas bolinhas de estrume no seu interior.
Lavrou-se um TCO que foi encaminhado à Justiça. Poucos dias depois foi aprazada a audiência preliminar do Juizado Criminal.
A juíza leu para todos os presentes o resumo dos fatos que constaram no TCO. Tiveram que se conter para não rirem do homem que permaneceu cabisbaixo durante todo o relato. A Promotora de Justiça ofereceu a transação penal, que consistia em fazer 15 dias de trabalhos voluntários no Centro de Saúde local. A juíza então perguntou ao homem:
- Senhor Nicácio, aceita a proposta da Promotora?
- Aceito, “dotora”. É “ajudá” no hospital?
- Sim. Durante quinze dias.
- Pode deixar. Sou “homi” de descumprir as “orde” não.
Como sempre fazia, a magistrada então passou a dar conselhos ao homem:
- Mas tem outra coisa. O senhor não pode mais ir ao estábulo de Seu João “visitar” a cabra, entendeu? Senão a bronca vai ser maior.
- Doutora, ir pro hospital pode deixar que eu vou, sem problema. Mas aquilo eu não posso garantir... – foi a resposta surpreendente de Nicácio.
- Mas por quê?
- Olhe, “dotora”, como eu sou feio. Nenhuma "muié" me quer. Por isso tenho muita "carênça"... O cercado lá é passagem pra minha casa. Se outro dia eu passar e a danada da cabrita der aquela mesma olhadinha pra mim com aqueles “olhinho” pidão, num vai dar pra resistir não!

14 comentários:

  1. Essa eu conheço!!!! kkkkkkkkkkk

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  2. Caro Dr. Rosivaldo;

    Até eu estou sorrindo e vou sorrir por mais uns longos minutos.

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  3. Jessé de Andrade Alexandria16 de junho de 2010 19:09

    E, no interior da Paraíba, se cada "cabra" feio for fazer essa presepada, tá ruim... Haja ofensa!
    Muita boa, Rosivaldo.

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  4. Paloma Albuquerque16 de junho de 2010 20:09

    KKKKKKKKKK sim mais...alguém ouviu a vítima? Parece-me que tal ato teve o consentimento da mesma, pois ela num deu nenhum "coicezinho",kkkkkkkkkkkkkkkkk (gargalhando)

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  5. Acho que a vítima não estava satisfeita com o bode da área...

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  6. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, muito boa essa história....

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  7. ow gente... tadinha da cabra, sério! :P

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  8. Será que o seu Nicácio deu pelo menos um punhado de milho para a cabrinha.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Meu Deus o mais cômico, é saber que aconteceu de fato, é o que é pior é comum este tipo de acontecimento na zona rural, Tento me colocar no papel da Juíza,porque fazem vinte minutos que terminei de ler e ainda não consegui, parar de rir, imagine se eu estivesse cara a cara com o Ninácio. Acho que eu desmaiaria, de tanto rir, e a iniciativa do PM de levar a vítima para a delegacia.KKKKKKKK. Santo Deus! E para fechar com chave de ouro o escrivão "eita" é um olhar 43 kkkkkkkkkk...Simplesmente fantástico!

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  11. RS, ESPERO QUE ESSA CIDADE NÃO SEJA PATOS.

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  12. Rindo muito! Mas pobre cabrita é pobre " carença" do feioso! rsrsrsr

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