Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

4 de junho de 2010

Saia Justa...


Certa manhã um magistrado amigo estava em seu gabinete, numa Comarca do interior. Trabalhava em uma sentença quando de repente apareceu uma senhora cinquentona, aparentemente fronteiriça, falando rapidamente e de maneira estabanada. Postou-se diante do birô do magistrado e começou a gesticular efusivamente com as mãos e a dizer, com compulsão, palavras incompreensíveis.
Com a cordialidade de sempre, o juiz procurou tranquilizá-la:
- Tenha calma, minha senhora, não estou conseguindo entender. Por favor, fale mais devagar. E não se preocupe que tudo será resolvido.
A senhora que, na ânsia de falar, esquecia de respirar e ficava ofegante, conseguiu completar uma frase, fazendo uma acusação:
- Doutor, o Delegado me agrediu. Ele é meu adversário político, é um babão do Prefeito!
- Mas o que houve? – Questionou o magistrado, procurando saber os detalhes da grave denúncia.
Ainda alvoroçada e suando às bicas, continuou:
- Eu sou contra o Prefeito e estava numa manifestação quando o safado do delegado me levou pra cadeia e me machucou.
Tentando fazer com que estranha mulher se acalmasse, o colega disse pausadamente que a encaminharia ao Instituto Médico-Legal para que fosse submetida a exame e que depois oficiaria ao Secretário de Segurança Pública, para apuração da denúncia. Contudo, a senhora não se deu por satisfeita: queria mostrar a marca da agressão ao juiz.
- Não precisa. Quem vai examiná-la é o perito, minha senhora. Depois ele colocará tudo direitinho no papel e me enviará.
A mulher não se deu por satisfeita. Estava decidida a mostrar o local da lesão.
- Nada disso. Eu tenho que mostrar, Doutor. Foi na minha coxa. Olhe! - E levantou a saia.
Surpreendido e assustado com aquela situação, o magistrado distanciou sua cadeira do birô e começou a insistir para que ela não fizesse aquilo dentro do gabinete onde estavam só os dois.
Para completar, ao levantar a saia, a mulher olhou para baixo e percebeu que estava usando uma meia-calça preta que não permitia que o juiz visse o ferimento. Numa atitude insólita, então passou a tentar baixar a meia-calça. Já apavorado, em fração de segundos o colega se levantou e deu a volta no birô. Enquanto ela tentava baixar, o magistrado, num gesto de desespero para evitar aquela cena constrangedora antes que alguém visse, aproximou-se a ponto de segurar a saia para que a mulher não terminasse por arriar a meia-calça e mostrar o escondível.
Eis que nesse exato momento entra na sala uma Promotora de Justiça que acabara de chegar de outra Comarca para substituir as férias da Titular e a cena que ela vê é estarrecedora: uma mulher com a saia levantada, baixando a meia-calça e o Juiz da Comarca com o corpo curvado em direção à cintura da mulher, com as duas mãos segurando aquela peça íntima...
O colega passou o resto do dia constrangido e explicando à recém conhecida Promotora o que aconteceu. Até hoje, disse-me ele, não sabe se ela acreditou na sua versão...

3 comentários:

  1. Ai... que situação, hein??? Nem consigo me imaginar numa dessa! hahahaha!

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  2. Mas estava fácil, era só o seu colega dizer a mulher que era a promotora que lhe resolveria o caso.
    Com certeza a mulher faria exatamente a mesma demonstração para a promotora.
    Mas poderia ser pior. Imagine se fosse a esposa do juíz que estivesse entrando, até ele conseguir explicar...

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