Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

3 de julho de 2010

A Seleção Perdeu... Vamos malhar o Mick Jagger?



Não deu. Um pena, realmente. Jogamos bem o primeiro tempo, mas houve um vacilo no segundo e o time perdeu a concentração. Logo depois outro gol e já não havia mais tempo para a recuperação. A perda de uma peça no tabuleiro sacramentou o xeque-mate e depois a nossa dor.
Agora, como sempre, vem a busca do culpado. Um volante que se descontrolou após ter se atrapalhado no primeiro gol e terminou expulso? Ou o técnico que escalou mal e deixou de fora dois talentosos jovens que despontaram há pouco no Brasil? Quem sabe o ataque que não funcionou bem na segunda etapa ou a defesa que deu mostras de não ser a melhor do mundo?
Acho que mais do que qualquer um de nós, cada um daqueles jogadores e todos os membros da comissão técnica estão muito, mas muito abatidos. Que não me chamem para fazer coro de vaias contra eles. Aplaudo o empenho, a dedicação demonstrada nos últimos meses.  Isso foi patente. E quantas privações... Deram o melhor de si, disso não tenho dúvida. Jogaram com o coração.
Mas como sei que a massa não suportará deixar de apontar um bode expiatório – aquele que servirá de saco de pancadas, objeto de transferência e projeção de nossas angústias, tristezas e dores, dentro e fora dos gramados... –, ao invés de malharmos aqueles que suaram e lutaram até o fim pela nossa bandeira, que tal um outro?
Durante a transmissão um comentarista intitulou um famoso pop star inglês de “pé frio”. Estaria presente no estádio e torcendo pela nossa seleção. 

Particularmente acho essa noção megalomaníaca, irracional. Quem é esse ser de tamanha importância no Universo que sua simples presença em um local tem o condão de contaminar a realidade a ponto de interferir e determinar o resultado de uma partida? É como aquela famosa história de um técnico carioca que só ia para os jogos usando as mesmas camisa e cueca... Não se tratam mais de pessoas e vestimentas, mas de verdadeiros totens, entidades e representações metafísicas materializadas em algo cuja desobediência ou contrariedade causaria sérios prejuízos. Isso é bom para que desçamos do pedestal e reconheçamos a parcela de irracionalidade que habita em cada um de nós.
E já que para muitos tem que ser assim, resolvi conclamá-los a buscarmos um bode expiatório diferente. Um bem distante de nossa realidade local, para exercermos nossa catarse coletiva sem cometer uma injustiça e causar mal a um de nós. Ao contrário dos nossos jogadores e da comissão técnica da seleção, tenho certeza de que ele não saberá de nosso luto, revolta e angústia, e nem chorará a derrota. Terá um sono tranqüilo esta noite e nos nos próximos dias.  Mais um motivo! Assim, vamos malhar o Mick Jagger?

4 comentários:

  1. Sensato! Infelizmente, parece que achar e punir um culpado, minimiza a dor da perda, não é mesmo? Eu ainda acho que a culpa foi da bola, estava correndo muito (rsrsr!). Quem sabe na próxima?! Ótimo domingo!

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  2. Até que enfim um comentário sensato.
    Realmente colocar a culpa em alguém (algo) é um lenitivo, infelizmente.

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  3. mas que é engraçado esse lance do mick, é!!! :)

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  4. Realmente a culpa foi de Mick Jagger!!!!!!!

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