Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

16 de dezembro de 2010

Morreu Luis Alberto Warat


Se Luis Alberto Warat tivesse nascido no Velho Continente (e não na Argentina), seria igualado a Perelman, Hart, Habemas, Dworkin e Alexy.
Sua ímpar trilogia "Introdução Geral ao Direito" (que na verdade é um tratado de filosofia do direito, uma obra de peso), publicada no Brasil pela Fabris, nos abriu portas... Um homem que nos trouxe importantes desvelamentos, em meio a um pensamento hegemônico que impõe, sem rodeios, o hermetismo míope (ou cego). 
Inesquecível, dentre tantas, sua abordagem sobre o senso comum teórico dos juristas e o monastério dos sábios, magistralmente lapidada no Volume II da referida trilogia. Todo jurista - que se diz como tal - deveria lê-lo.
Não tive o prazer de vê-lo pessoalmente. Isso foi para poucos afortunados. Mas o homem é sua obra. E, assim, lendo-a, pude ter contato com ele no que há de mais idílico em um homem: suas idéias. Portanto, posso dizer que o conheci e fui seu aluno também. Por isso, professor, sinto também sua partida.
A maestria de Warat ultrapassou a barreira do jurídico. Transbordou pela psicanálise, pela poesia. Enfim, mais do que um jurista ou filósofo na acepção tradicional, um humanista que pintou com cores vivas a celebração da vida e nos deixou marcas profundas na alma.

Obrigado, Warat.



Segue um dos trechos que mais gosto:
"Para assumir as bandeiras dos socialmente excluídos os juristas precisam converter-se em operadores marginais do direito. O que não é fácil. Primeiro, porque correm um risco bastante concreto de serem institucionalmente segregados. Segundo, porque lhes será bastante difícil deixar de pensar como membro de sua casta e converter-se em militante do novo. Dizendo-o em outras palavras: os juristas marginais precisam estar em contato com o totem jurídico sem serem devorados por ele. Eles precisam liberar-se do juridicismo, deixar de ser operadores anestesiados da lei. A estratégia do jurista marginal exige um permanente ‘uso transgressor do direito’ (que é muito mais que um uso alternativo dele) para buscar a permanente ampliação do espaço do desejo, exercitando o direito à diferença."

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