Por trás da magnificência de uma toga há, na essência, sempre, um homem, igual a qualquer outro, repleto de anseios, angústias, esperanças e sonhos.

25 de maio de 2013

Privilégio - o filho da verdadeira Violência



Gravura extraída do site Geopolítica Brasil


Quanto menores os injustos privilégios dos poucos abastados, maiores os benefícios aos muitos necessitados. 
Precisamos desvelar o que é violência. Seu conceito foi reduzido a uma mera agressão individual física e patrimonial. Essa é a violência com “v” minúsculo – a violência banalizada das ruas. Mas a Violência, com “V”, precisa ser entendida como a desconsideração do outro como igual, como uma prática de desrespeito à dignidade do outro enquanto sujeito de direitos, numa ordem conjuntural.
Uma Violência que se normaliza enquanto realidade social marcada por uma tremenda desigualdade econômica e de tratamento. A verdadeira Violência está aí, embora que obnubilada, tornada invisível pela cotidianidade. 
A Violência está no rosto de cada doente nas filas dos hospitais públicos. Está na ausência de sorriso de cada criança que tenta, em vão, estudar em escolas públicas dilapidadas. Está nos olhos sofridos pelas intempéries da vida dos que sobrevivem nas favelas. 
A Violência está no desprezo dos insensíveis. A Violência grita “estou aqui” na criminalização dos movimentos sociais que lutam exatamente contra ela. Afinal, a Violência precisa se mascarar como discurso que defende a ordem – seu embuste covarde e mentiroso. 
A Violência grita “estou aqui” nos privilégios dos poucos abastados e nas privações dos muitos oprimidos. A Violência é da ordem da desigualdade. Tem a dimensão que têm as relações desiguais de poder entre os privilegiados e os prejudicados. Somos, sim, um país muito Violento. Não existirá, nunca, paz com tanta Violência.


*Rosivaldo Toscano Jr. é juiz de direito no RN e membro da Associação Juízes para a Democracia - AJD